Roedores de estimação: cuidados básicos

11/11/2014 14:05
Hamsters, camundongos, porquinhos-da-índia, chinchilas e gerbis são as espécies de roedores mais utilizadas como pets. Eles recebem esse nome exatamente pelo fato de roerem coisas, isso inclui a fiação da sua TV a cabo, chinelos e outros objetos gostosos de roer. Seus dentes são brancos quando filhotes, ficam amarelados quando adultos e crescem constantemente, durante toda a vida. Alguns roedores, como os hamsters, possuem duas bolsas nas bochechas, onde guardam o alimento para comer mais tarde num lugar seguro e tranquilo.
A alimentação desses animais deve conter itens que proporcionem o desgaste natural dos dentes, caso contrário os mesmos podem crescer excessivamente, causando problemas de oclusão. Isso é feito facilmente, oferecendo legumes crus, como cenoura e beterraba, verduras de cor escura com talo, como couve e almeirão, e a própria ração peletizada.
Apesar de cultural, as dietas baseadas apenas nas misturas de sementes não são as mais indicadas. Isso ocorre porque as mesmas são ricas em gorduras e pobres em outros nutrientes, como proteínas e vitaminas. Essas misturas são extremamente palatáveis, por possuírem muita gordura, mas levarão os animais a ter sérios problemas de saúde, como doenças no fígado, no coração e obesidade.
A ração peletizada, específica para cada espécie, é a melhor opção de alimento, devendo ser de uma marca idônea e armazenada corretamente. Porém, a dieta deve conter ainda uma quantidade adequada de fibras, que varia de acordo com a espécie em questão. As chinchilas, por exemplo, devem receber uma alimentação contendo aproximadamente 35% de fibras, senão poderão ter problemas graves ligados à digestão, como a constipação.  Para elas, podemos oferecer fibras na forma de alfafa em rama ou em blocos e verduras de cor escura.
Muitos roedores apresentam um hábito denominado coprofagia. Um nome estranho para uma explicação simples: eles podem ingerir as próprias fezes. Fazem isso como uma estratégia importante na complementação nutricional, pois essas fezes são ricas em vitaminas. Quase 40% das fezes podem ser ingeridas, principalmente durante a noite.
Além de uma alimentação saudável, devemos alojar nossos amiguinhos de maneira confortável e limpa. Isso requer uma boa gaiola, espaço para brincar e um substrato adequado. Existem no mercado vários modelos de gaiola, que variam também de acordo com a espécie do animal. O importante é comprar uma gaiola grande, permitindo que o animal ande dentro dela, consiga ficar em pé e se virar sem nenhuma dificuldade, e que seja fácil de limpar.
Preferencialmente, as gaiolas devem conter andares e locais para os animais se exercitarem, como túneis, escadas e rodinhas. Um detalhe importante para evitar acidentes: as rodinhas devem ser fechadas, não possuindo vãos abertos, o que ajuda a evitar fraturas. Lembre-se também que seu amiguinho, quando filhote, irá crescer, e os túneis, rodinhas, gaiola e outros apetrechos devem ser comprados imaginando o tamanho do animal adulto. Coloque na gaiola uma casinha confortável, um local para seu bichinho dormir e até mesmo comer sua comidinha escondido. Imagine que essa casinha será o lugar que ele passará a maior parte da vida e deve ser confortável para isso.
Momentos diários de exercício fora da gaiola são muito importantes. Para isso, os animais devem ser monitorados, pois tentarão entrar em qualquer lugar que parecer uma toca, como o encanamento ou buracos na parede, podendo ficar presos por algumas horas ou dias. Os sapatos também são muito utilizados, então, cuidado ao calçar seu tênis, vale dar uma olhadinha antes. Muitas pessoas optam por usar as bolinhas de exercício, nas quais os animais entram e brincam correndo dentro delas. Elas são válidas, mas não substituem corridas livres por um ambiente. Isso me faz lembrar um detalhe: devemos "trancar" bem as portas da gaiola, pois nossos roedores são capazes de abri-las facilmente. Use lacres de pão ou ganchinhos para isso.
No fundo da gaiola, pode ser usado um substrato que a mantenha limpa por mais tempo. A maravalha ou serragem é amplamente utilizada, mas deve ser trocada com muita frequência, para manter a gaiola isenta de odores desagradáveis. Atualmente já existem no mercado "areias" higiênicas, como as areias para gatos. Elas são bastante úteis, mas devem ser específicas para roedores. Os bebedouros devem ser do tipo mamadeira. As gaiolas devem ser limpas várias vezes por semana, com água fervente e/ou desinfetantes atóxicos e que não deixem resíduos. Não se esqueça de tirar seu amiguinho da gaiola antes de limpá-la. Para as chinchilas, devemos ainda disponibilizar um vasilhame com pó de mármore ou calcita malha 100, para higienização dos pêlos, durante aproximadamente uma hora diária.
Em relação à reprodução, os roedores são muito bem sucedidos. Na maioria das espécies, o cio é induzido pela presença do macho e pode ocorrer a cada quatro dias, como no caso dos hamsters - sírios. O tempo de gestação varia de 15 a 118 dias, no hamster - sírio e chinchila, respectivamente, e as ninhadas atingem de três a nove filhotes. A maioria possui o cio pós-parto fértil e, caso sua intenção não seja ter mais netinhos, é bom separar o macho após o nascimento dos bebês. Isso é importante também para evitar que ele machuque ou até mate os pequenos. Devemos evitar o nosso contato com as fêmeas e os filhotes durante pelo menos duas semanas, para que a mesma não rejeite seus filhinhos. Lembre de suplementar a alimentação da mamãe nesses períodos.
 
Laila Maftoum Proença
M.V. Mestre em Biologia Animal
Medicina de Animais Silvestres
 
Fonte: http://www.animaisdecompanhia.com.br/component/content/article/43/194-roedores.

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